https://www.facebook.com/199961796843117/posts/1927349290771017/ No passado dia 2 de dezembro teve lugar a apresentação do livro Animais - Rimas e Adivinhas, na Fábrica das Histórias em Torres Vedras. Um momento de descontração e partilha, onde não faltou a exposição de algumas telas do ilustrador do livro, Aristides Meneses. O link acima ilustra alguns momentos do evento.
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Maestro sapo, ouvidos tapo!
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O sapo Adão tinha tudo para ser campeão. — De quê? — pergunta o curioso leitor, quando se interessa pelo que lê e do texto sente o sabor. — Sabor? — volta a inquirir espantado, sentindo-se enganado com tamanho abuso dos sentidos, porque só muito esfomeado se punha a comer os livros! Se o narrador está a brincar, o melhor mesmo é parar. Podem rir à vontade, mas a grande verdade é que o sapo Adão em vez de verde era azulão. E isso não era o mais estranho, dado que ganhava a vida a agitar um pau castanho. — Explique-se lá, ó narrador, que a barafunda está a ficar pior! É simples a explicação: o sapo Adão dirigia uma orquestra de batuta na mão. Era maestro, com tanto jeito, que parecia guiado por um astro, quando tudo saía direito. Só havia um problema: quanto melhor conhecia o tema, mais preguiça lhe chegava e mais ensonado ficava. Não era raro vê-lo adormecer e da orquestra se esquecer. A música si...
Lagarta cantora, essa agora!
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A lagarta Rita era elegante e bonita, verdinha como uma alface e com uma pinta amarela na face que lhe dava um ar diferente do resto da sua gente. Diferente é o mínimo que se pode dizer desta lagarta que do seu povo estava farta, por se sentir incompreendida e ao mesmo tempo perdida, querendo o que parecia não poder ter e tendo o que certamente não queria. Chega de perder leitores que não gostam de grande largura de escritos e entre-se nos pormenores e nos detalhes esquisitos. Cá vai então a primeira confissão: a Rita era uma lagarta encantadora que queria ser cantora. Mas não cantora de fados ou de musicais animados. Pretendia cantar ópera e, para conseguir o seu intento, todos os dias havia cantoria, fizesse sol ou soprasse vento. E era ouvi-la de manhã cedo, ainda o galo se espreguiçava a medo, a treinar a vocalização e a desafinar até mais não. — Lá está ela outra vez. Que mal é que a gente lhe fez!? – queixavam-se os animais, incapazes de dormir mais. Num belo dia...
Era um ás, mas andava para trás
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Era uma vez um rapaz que tinha tudo para ser um ás. Sabia de matemática, de química, de gramática e até de mímica, mas preferia mandriar, o professor ignorar e os colegas provocar. Já ninguém tinha paciência para tamanha incongruência, entre capacidade e vontade. O professor aborrecia-se, mandava trabalho, que ele esquecia ou, se não esquecesse, era como se todos os erros possíveis de propósito cometesse. Irritado com a evolução do estudante, explicou aos pais a situação preocupante. Estes fizeram orelhas de mercador e recusaram-se a colaborar com o professor. "Que família estranha a deste aluno, que em vez de se preocupar com o estudo, prefere ignorar o problema, como se fosse esse o seu lema!", pensou o professor, com desalento, ainda que não fosse seu intento esquecer o estranho rapaz e deixá-lo ficar para trás. Lembrou-se então de dar ao José uma lição. Com a turma combinaria que coisa nenhuma correcta se diria. Num dia bem acertado, tal como fora combinado, o profes...
Serpente e galinha, que imaginação a minha!
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Era uma vez uma galinha que contava até três. Vivia num galinheiro todo catita, para os lados da Benedita. Chocou ovos numa Primavera quente e de um deles saiu uma pequena serpente. Alvoroçado, todo o galinheiro se pôs a cacarejar, até a cobra se assustar. "Estranha filha", pensou a mãe-galinha. Decidiu manter-se de bico calado, para que o caldo não ficasse entornado. Dali para a frente manter-se-ia distante, para nenhuma zanga ir avante. — São doidas as galinhas se pensam meter-se com filhas minhas! — murmurou, escondendo a serpente debaixo da asa e levando toda a ninhada para casa. Dos seis ovos chocados, saíram três pintos bem contados. Mais fossem, perder-se-ia nas matemáticas, que galinhas são aves práticas. Três pintainhos e uma serpente catita, qual delas a mais bonita. Os dias passavam, as crias cresciam e o galinheiro fazia por ignorar que estranhas coisas por ali se viam. Ainda assim, quando não havia olhos de mãe por perto, uma bicadita ou outra na ser...