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Desisto, agora

Abraçada pela luz do sol de corpo estendido na areia desisto, finalmente desisto. Insensata luta, constante busca, redundante cansaço, fadiga imensa. Desisto, agora que o querer já partiu, deixando amargura, cravando tristeza num coração outrora encantado. Cedo à fraqueza, ante a imensidão do mar. Adormeço junto às ondas, para seguir viagem num embalo prolongado. @ Elisabete Lucas

Mar imenso, deixa-me entrar

Mar imenso, deixa-me entrar leva-me para longe, ao infinito além do que os olhos alcançam: onde se forma o arco-íris as cores se fundem os ruídos se ausentam as gentes não chegam as guerras se desconhecem as fomes perdem registo na memória onde o tempo não importa, e eu possa ser como sou sem mais. © Elisabete Lucas

Voa gaivota, encontra o teu destino

Voa gaivota, encontra o teu caminho sobe bem alto, sobe sempre até céu leva-me contigo num qualquer cantinho para que eu, na subida, encontre o meu. Deixa-me ver da lonjura do universo a imensidão do que deixei sem olhar para que eu nesse olhar assim imerso sinta saudade e, quem sabe, queira voltar. Fixo o mar revolto, vigoroso, imenso sigo o teu voo, invejo-te as asas, a liberdade vejo o mundo lá do alto e sem querer penso que o mundo lá em baixo me deixa saudade. Deixa-me ao vento gaivota, segue o teu destino não te prendas à minha própria sorte abro os braços, fecho os olhos, estou a voar sem tino sinto-me, como nunca, a muitas milhas da morte. © Elisabete Lucas